Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010
Guerra

Nada

Não sinto nada

Não sinto as pernas

Nem os braços

Vejo mal

Oiço vozes distantes

Ainda há pouco fazia planos

E agora

Prostado no chão

Rodeado por camaradas

Disputo um jogo de vida ou de morte

Como a vida pode mudar

O rebentamento de um morteiro

E não me lembro de mais nada

Uma casinha. Casamento. Filhos.

E agora, tal areia a escorrer por entre os dedos

Sinto a vida escapar-se

Dizem que quando ela nos vem buscar

Vemos uma luz muito branca

Muito forte

Mas não. Mais forte é o meu amor

e a minha vontade de viver

Estou a andar

Vou numa maca

Estou a voar

De helicóptero

Ainda não chegou a minha hora

Tenho de me manter acordado

Não quero deitar tudo a perder

Estou mais perto do céu

Mas não pretendo ir já para lá

Tenho tempo

Tenho tempo

 

Ricardo Franco

publicado por Odracir às 17:52
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